

Andreia Aparecida Silva Donadon Leal
Déia Leal (Andréia Aparecida Silva Donadon Leal) nasceu em Itabira/MG. Formada em Letras (UFOP-MG) e Pós-graduanda em Artes Visuais - Cultura & Criação (SENAC). Representou Minas Gerais no Circuito Internacional de Arte Brasileira na Tailândia, China, Áustria, Alemanha e Polônia (2007-2008). Premiada no Concurso Internacional de Artes Plásticas Compositor Antonio Gualda - 2006, na Espanha. Participou da exposição Arte dos cinco Continentes na Espanha e na Itália.
Sua obra é muito
bonita e peculiar e os lilases, violetas e azuis me fizeram ‘viajar’ pelos
jardins de Monet, pelas ‘Ninpheas Azuis’ que tive o prazer de admirar de
pertinho no Museu D’Orsay onde, confesso que senti até o perfume do local
retratado.
Este sentimento é pura Semiótica: signos que geram signos que geram
signos... O signo / imagem Ninpheas Azuis gerou meu pensamento (signo).
Segundo Ferrara (1999) imagem é uma linguagem não-verbal, uma
representação - de algo - e um signo.
A palavra imagem vem do latim imago, que quer dizer semelhança,
representação, retrato. Com essa etimologia, “imagem, tomada como
representação, pode se referir ao que se vê, ouve-se ou se imagina (PIETROFORTE,2004).
Peirce (1977) nos ensina que Semiótica, da raiz grega semeion que quer
dizer signo é a ciência geral dos signos, entendendo-se signos como
linguagens, sendo pois a Semiótica a ciência geral de todas as linguagens,
verbais e não-verbais. A Semiótica é, portanto, uma filosofia científica da
linguagem.
Ainda podemos acrescentar, de acordo com Pignatari (1985) que convém fazer a
distinção entre língua e linguagem, sendo, portanto, as línguas,
manifestações particulares da linguagem e a Lingüística um ramo da Semiótica
que é a ciência cujos princípios gerais comandam toda e qualquer
manifestação da linguagem.
A pintura é uma imagem que representa algo para alguém, por isso é um
signo (não-verbal) e também um ícone (se assemelha àquilo que significa)
sendo também um índice porque, tal qual uma imagem fotográfica (Shaeffer,
1996) é necessária uma ‘bagagem’ do receptor (interpretante) para dialogar
com os inúmeros significados despertados pela observação de uma imagem
(fotografia, pintura...).
Também reforça Santaella (1983) que uma imagem é um hipoícone, ou seja,é
um signo que representa seus objetos por semelhança e todas as formas de
desenhos e pinturas figurativas são imagens.
Coelho Netto (1983) exemplifica muito bem o, digamos, objetivo da arte,
citando o filme Chien andalou, de Luiz Buñuel, que começa com o olho de uma
mulher, em close-up, cortado ao meio por uma navalha e questiona se seria
simples agressão ao espectador (“Que ele saia da sala”, disse Buñuel) ou –
através da destruição de um olho viciado, de uma visão anterior prisioneira
de si mesma – proposição de um novo modo de ver a “realidade”?
A meu ver, ambas as coisas: agredir para acordar...
E a arte se impõe para ser ‘lida’ pelos seus interpretantes, cada qual
com seu ‘repertório’ cultural. O sentido de algo tem relação com seu
significado, mas existem diferentes significados para um mesmo sentido.
Uma criança, ao observar sua obra (de Andréia Leal) pode se encantar com
as cores frias, pode achar que é um pedaço de corda velha no fundo do mar
que caiu de algum navio pirata...
A explicação da obra pela autora (Andréia Leal) amplia nossa percepção
(interpretantes adultos) e aponta para a crítica pretendida. Mas, mesmo
assim, eu continuo vendo ninpheas, águas claras, angústia, mas também paz.
Provoca em mim uma antítese mental e se fosse dar um título a esta obra
seria: Última Cena, ou Última Chance, porque eu enxergo uma possibilidade de
vida atrás destas amarras, enxergo um rio cristalino (ou seria o mar?),
enxergo flores lilases... Pignatari (1985) diz que “o enriquecimento do
interpretante gera uma capacidade de metalinguagem, ou seja, uma linguagem
crítica em relação à situação e à linguagem em uso.”
Vejo quase o caos, mas existe uma bonança por detrás das amarras do
tempo, buscando renascer. Existe o sim e o não, à espera da escolha.
Ainda de acordo com Pignatari (1985), o signo da arte seria um
quase-signo, algo que já não é o caos mas ainda não é a ordem.
E mais uma vez Pignatari (1981): (...) “a invenção, a originalidade
(informação) é vital para a ordem do sistema que buscará, por sua vez,
sempre, novos estados de equilíbrio através do processo conhecido como
homeostase.”
Portanto, mesmo na esplendorosa Guernica de Pablo Picasso, exemplo de
profusão e fragmentação existe a ordem no caos. A desordem / caos tem sua
ordem peculiar e o artista a denuncia tal como ele a vê, na verdade, como
ela teria sido. Alguém que desconheça o contexto histórico, de qualquer
maneira enxergará a guerra, a destruição e a angústia naqueles elementos
fragmentados e sentirá o ‘peso’ daquela informação, isto é, a sua mensagem.
Aí reside a essência da obra de arte como denúncia.Aí reside a necessidade
da Arte e do olhar do artista.
Referências:
COELHO NETO, J. Teixeira. Semiótica, Informação e Comunicação. São
Paulo,Perspectiva, 1980.
FERRARA, Lucrecia D´Aléssio.Percepção Ambiental: a experiência
brasileira/Vicente Del Rio e Lívia de Oliveira, orgs.As cidades Ilegíveis -
percepção ambiental e Cidadania.São Paulo, Studio Nobel,1999,2ª edição.
PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica. Trad. José Teixeira Coelho. São Paulo,
Perspectiva, 1977. PIETROFORTE, Antonio Vicente Seraphim. Uma imagem da
música: análise semiótica de uma capa de disco. In: Cadernos de Semiótica
Aplicada, São Paulo, V.2.n. 2, p.10-30, 2004.
PIGNATARI, Décio. Semiótica da Arte e da Arquitetura. São Paulo,Editora
Cultrix, 1981.
PIGNATARI, Décio, Informação, Linguagem, Comunicação. São Paulo,Editora
Cultrix, 1985.
SANTAELLA, Lucia.O que é Semiótica. São Paulo,Brasiliense, 1984, 2ª edição.
SHAEFFER, J.M., BOTTMANN,E. A imagem precária sobre o dispositivo
fotográfico. São Paul,: Papirus, 1996.
1. Déia Leal conquistou o 3º Prêmio
do Concurso Internacional de Artes Plásticas Antonio Gualda, na categoria
“telas pequenas”, dezembro de 2006, em Granada, Espanha, com as obras “Outono”
(40X30 – acrílico e óleo sobre tela, 2006) e “Outono em chamas” (40X30 –
acrílico e óleo sobre tela, 2006) Essas telas encontram-se no acervo da
Associação Cultural Valentin Ruiz Aznar, – Granada, Espanha
2. Selecionada pela COLEGEARTE para
representar Mariana e Minas Gerais no XII Circuito Internacional de Arte
Brasileira na Áustria, China e Tailândia, nos meses de maio e junho de 2007.
Primeira Exposição Aldravista de Arte. (coletiva) Casa de Cultura de Mariana, Fevereiro de 2006.Promoção: Associação Aldrava Letras e Artes e Jornal Aldrava Cultural.
Exposição de
Arte Aldravista, Mostra individual, de 25 de novembro a 08 de
dezembro de 2006, no Museu Casa Alphonsus
de Guimarães, Rua Direita, 37, Mariana, MG.
Exposição Virtual das telas premiadas no Concurso Internacional de Artes Plásticas Antonio Gualda, desde dezembro de 2006, no site http://usuarios.lycos.es/avra/index.htm
Castelo D'Ayala Valva, Itália. Mostra Sguardi di Donna (março 2007) com 12 telas selecionadas pela Associazione Culturale Sèmata de Taranto, entre as premiadas no Concurso Internacional de Artes Plásticas Antonio Gualda- 2006.
Sporthalle Am See, Teestrasse, 60, Hard - Voralberg - Áustria. de 22 a 26 de maio de 2007. In: XII Circuito Internacional de Arte Brasileira. Realização: COLEGEARTE. Apoio: Ministério das relações Exteriores, Secretaria Estadual e Municipal de Cultura, Aldrava Letras e Artes.
Beiling Art District 798 - Dashanzi - Pequim / China. de 29 de maio a 06 de junho de 2007. In: XII Circuito Internacional de Arte Brasileira. Realização: COLEGEARTE. Apoio: Ministério das relações Exteriores, Secretaria Estadual e Municipal de Cultura, Aldrava Letras e Artes.
Playground - 818 Toi Tukhumvit, 55, Tukhumvit Rd.Klongton Nue Wattana, Bangkok - Tailândia . de 09 a 17 de junho de 2007. In: XII Circuito Internacional de Arte Brasileira. Realização: COLEGEARTE. Apoio: Ministério das relações Exteriores, Secretaria Estadual e Municipal de Cultura, Aldrava Letras e Artes.
Mostra Aldravista de Arte - Mostra Internacional - em cooperação com o Consucrso Internacional de Artes Plásticas Antônio Gualda - 2006.: Museu Casa Alphonsus de Guimaraens, Mariana, MG, de 30 de maio a 13 de junho de 2007.
Exposición de Arte Internacional Nocturnal Dreams - Asociación Cultural Valentín Ruiz Aznar - de 30 de junho a 1 de julho de 2007. Recinto Interno de la C. S. S. Vera - escultura. Granada, espanha. Tela: O irreversível - acrílica com rasgos e costura.

Aberta a mostra Portais
de Minas - exposição de arte aldravista
Fazenda do Pontal - Itabira, MG
16 de julho de 2008
No dia de Minas, 16 de julho de 2008, a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade realizou na Fazenda do Pontal, a abertura oficial da mostra Portais de Minas – Exposição de Arte Aldravista da artista plástica e poeta, Déia Leal (Andréia Donadon Leal).
Nesta exposição, insinuações de minas ou de Minas são lançadas em todas as telas, para que o leitor reconstrua alguma idéia de mineração a partir de metonímias de Minas Gerais (conteúdos emaranhados do continente mineiro). As pinceladas abdicam do traço e lançam-se exclusivamente em manchas de algo que demarca perfurações no solo em ordenação de jogos de profundidade com perspectivas sobrepostas e aberturas para esconderijos ou fugas sob teias emaranhadas. A artista abre mão da composição da arte através de traços e desenhos que resultam em imagens para jogar acrílico, óleo com algum grattage ou cordas sobre telas, numa insinuação de temas em movimentos até que narrativas surjam da explosão de cores na instauração de possibilidades de significação e de sentido. A liberdade metonímica é o pilar da arte aldravista, que pergunta insistentemente ao espectador: o que é que só você vê. As telas mostram o nascimento de Minas, representado pela tela “Luzia”, fóssil de 11 mil anos encontrado na região de Lagoa Santa, a cristandade ou a luta pela liberdade com a tela “martírio”, metonímia de Tiradentes ou de Jesus Cristo e muitos outros portais que nos levam à idéia de mineiridade.
Déia Leal – nome artístico de
Andréia Aparecida Silva Donadon Leal, natural de Itabira – Minas Gerais,
cresceu em Santa Bárbara. Licenciada em Letras pela UFOP, Bacharel em Estudos
Literários, Pós-graduanda em Artes Visuais - Cultura & Criação. Representou
Minas Gerais no XII e XIII Circuito Internacional de Arte Brasileira na
Áustria, China, Tailândia, Polônia e Alemanha. Participou da Exposição Arte
dos Cinco Continentes na Espanha e Itália. Exposições Individuais: Pinacoteca
da Universidade Federal de Viçosa, Fundação Cultural Carlos Drummond de
Andrade (Fazenda do Pontal), Salão Nobre da Câmara dos Vereadores (Santa
Bárbara) e Museu Casa Alphonsus de Guimaraens. Convidada para expor no Louvre
2009.
Fotos da III Semana da Cultura na cidade de Santa Bárbara.
Exposição de Arte Aldravista - Mostra Portais de Minas - Déia Leal,
abriu a semana na cidade, no dia 16 de agosto de 2007.


" Um presente que recebo da cidade de Santa Bárbara pela oportunidade
de ter minha Primeira Mostra no Brasil da Tela Portal da Fuga,
obra selecionada para representar a cidade de Mariana
e o Estado de Minas Gerais, exposta na Áustria, Tailândia e China".
A exposição foi organizada pela assessoria cultural da cidade de Santa Bárbara
por Tião Crispim, Marly Bicalho e apoio da Assessoria de Comunicação Social.
Além da participação dos Santa-barbarenses, professores e alunos
da Escola Dom Viçoso; professores e alunos da Escola Estadual Dom Benevides;
professores do ICHS e poetas aldravistas prestigiaram
a Exposição Mostra Portais de Minas.
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Ao ver, rever, sentir e intuir a obra de Déia Leal, adentramos, PORTAIS,
que ela com sua aura eterna vê, vislumbra, sente e entrega aos que só mesmo
a terceira dimensão conseguem apalpar, sentir e ver.
Quem assim adentra PORTAIS, e assim consegue ir e vir na Arte do viver,
realmente vislumbra um mundo que tanto lá como cá, tem a formatação do que
de mais belo e eterno existe no ETÉREO, e que infelizmente no plano terra
os perseguidores de talentos desde manjedoura ao calvário,
nem sequer se dão conta que o talento já perpetuou-se nas artes e por isto,
já transmutou os valores mundanos dos que se imaginam poderosos,
meros pó de traque perante toda a grandeza do universo.
E a Artista, jovem, irreverente mas consciente, passa a mensagem aos mais
jovens,
que nem precisam de Mestres artificiais, ou formados seja onde for
para os orientar a verem além da visão terrena.
O que consideramos salutar na OBRA DE DÉIA LEAL é justamente a sua
maneira singela de mostrar aos senhores do mundo terreno que fazer arte
é se abstrair da vida dita social, humana e terrena e se entregar
ao outro lado do ser que habita o seu ser, e claro, só mesmo esta entrega
é que permite em MARIANA um talento de tamanha grandeza e luz.
Agindo e aplaudindo o que se expõe de peito aberto e de alma pura,
sem delonga e sem milongas, apenas porque fazer arte é mesmo
sentir a pureza do espírito agir enquanto
as mãos vagam no vazio da vida.
