FACULDADE ANGEL VIANNA
DEPARTAMENTO DE PÓS – GRADUAÇÃO
MÃOS NO ATO DO TATO
PROCESSOS DE APRENDIZAGEM EM CERÂMICA
E
SUAS INTERAÇÕES COM A EDUCAÇÃO SOMÁTICA
CLAUDIA FERNANDES DE ALMEIDA
OUTUBRO 2008
Trabalho realizado em cumprimento
As exigências do curso de
Pós – Graduação em Terapia através do movimento,
destinando-se a pesquisa da relação entre
os processos da aprendizagem em cerâmica
e suas repercussões na esfera
da educação somática.
RIO DE JANEIRO
2008
Dedico este trabalho a minha Mestra Angel Vianna,
a minha avó Helena Tostes
e a Celeida Tostes.
INTRODUÇÃO
Este trabalho destina-se a análise da manifestação artística junto à técnica de modelagem em cerâmica. Iremos trabalhar a partir dos dados obtidos através da literatura referente à área do aprendizado em cerâmica e do desenvolvimento de qualidades corporais referentes aos sentido do tato,da interação com o processo da educação somática manifestada em suas diversas técnicas enquanto suporte teórico e das ações corporais básicas do movimento , explicitadas através do sistema laban do movimento , contextualizado no presente trabalho como uma das técnicas no processo da educação somática
Inicialmente,faremos uma sucinta exposição sobre as estruturas básicas do trabalho com cerâmica, passando por um breve histórico e descrição das especificidades da cerâmica, para posteriormente nos remetermos a algumas características do processo criativo, até chegarmos á descrição das técnicas utilizadas no aprendizado cerâmico e suas respectivas repercussões do desenvolvimento do individuo no que tange aos aspectos dos sentido do tato , as possíveis mudanças e estímulos ao processo de própriocepção através da noção de contorno corporal, intensidade do toque (peso), forma, apoios e volume (espaço), velocidade do manuseio da argila (fluxo e tempo), entrando assim na esfera das ações corporais em contato com o ato de criação através do contato com a argila.
Iremos resgatar alguns depoimentos de alunos que estiveram presentes durante o processo de aprendizado que vivenciamos em oficinas de cerâmica como referências da familiarização do respectivo processo de aprendizagem e suas vivências correlatas,com objetivo de elucidar as singularidades de cada técnica e suas ressonâncias individualizadas no processo experimental de cada integrante dos grupos abordados, grupos estes que fizeram parte do meu respectivo aprendizado em cerâmica em diversos ateliês.
Ciente da dimensão do tema abordado, pretendemos de alguma forma colaborar através da nossa observação sem emitirmos conclusões deterministas, mas ajudando a expandir um campo de possibilidades que se reinicia a todo instante que um indivíduo põe a mão no barro e ....
Cria!!!
1 - HISTÓRICO DA CERÂMICA
Considera-se que o primeiro contato do homem primitivo com a cerâmica foi há uns quinze mil anos, quando se descobriu que a massa da terra que era pisada com os pés, sob a ação do fogo endurecia e que, desta forma, o homem iria poder utilizar-se de um elemento da natureza para satisfazer necessidades, como a estocagem de líquidos ou de excedentes de alimentos. Uma grande mudança aconteceu na organização social e cultural, a partir da possibilidade do "estoque" destes excedentes, não sendo mais necessário haver o deslocamento freqüentemente para obter alimentos. Podemos considerar que a cerâmica veio contribuir para que os grupos primitivos deixassem de serem nômades, passando a ser sedentário.
A cerâmica é a mais antiga das expressões plásticas que o homem pratica. Posteriormente, derivaram-se dela todas as demais formas de expressão denominadas artísticas. Antes da cerâmica, nos registros arqueológicos apenas encontrou-se material ósseo ou de pedra, instrumentos e utensílios muito rudes, que não podem ser considerados como objetos de arte, pois foi através da prática manual da cerâmica que a consciência humana adquiriu suficiente desenvolvimento estético para fabricar objetos utilitários com um ponto de vista que visaria à elaboração e busca consciente da forma estética. A cerâmica inicialmente aparece como expressão criativa, implementando um tratamento estético do material, através da modelagem de pequenas figuras , no período chamado Paleolítico Superior. Muito mais tarde é que floresceu a expressão pictórica das cavernas e milênios mais tarde é que se desenvolveu a cerâmica de vasos, sendo uma atividade típica de culturas sedentárias e agrárias (período Neolítico).
Podemos perguntar que instinto seria este que levaria um homem primitivo a pegar uma massa de barro em suas mãos e modelar a figura de um animal ou a de um vaso. Seria este o mesmo instinto que levaria uma criança de cinco anos a modelar com suas mãos sem nenhum aprendizado, formas e imagens admiráveis por sua espontaneidade?
Podemos notar que hoje em dia provavelmente como uma reação perante a vida culturalmente asfixiante que se leva nas grandes cidades, a cada momento, há o aumento do número de pessoas que experimentam a urgente necessidade de expressão através de uma atividade manual, que propicie a integração do sujeito, e que ajude a por em equilíbrio todas as nossas funções orgânicas, no que se refere a todos os nossos sistemas,digestivo, neurológico, endócrino,etc.
A cerâmica pode ser praticada em qualquer idade e contribui no processo de integração do ser, podendo ainda proporcionar ao ceramista uma profissão com as amplas possibilidades econômicas.
Podemos notar que, a cerâmica é uma atividade com múltiplas conexões; relaciona-se com a forma e a cor, a textura e o esmalte, o fogo e as técnicas de fornear, a geologia e as extrações de argila e é essencialmente pura química e matemática para o cientista cerâmico. Relaciona-se também com a mineralogia e a cristalografia, a arqueologia e as ciências antropológicas, a religião e a medicina, têm conexões diretas com a psicologia da arte e a terapia psicológica, com a história da arte seja como escultura ou como modelagem, e ainda com a indústria e o artesanato; enfim não há como a cerâmica não ser abordada como uma atividade que congrega e que se relaciona com quase todos os ramos e aspectos da cultura humana. Podemos pensar que, sem cerâmica, não existiriam dentaduras postiças, nem foguetes e nem vidros. Mesmo a metalurgia em suas origens depende em grande medida do auxílio da cerâmica , pois a fundição dos metais requer conhecimento prévio da cocção a elevadas temperaturas e da construção de fornos e recipientes refratários.
É com essa amplitude de possibilidades que caracteriza a cerâmica, que nos deparamos e assim passaremos a dar continuidade aprofundando um pouco mais na cerâmica.
1.1 - O QUE É CERÂMICA?
A cerâmica consiste na atividade de fabricar objetos artísticos, utilitários ou mistos, utilizando a argila como matéria prima. Esta matéria , depois de modelada, deve ser queimada a uma temperatura adequada, com a finalidade de que os objetos adquiram suas características definitivas, que seriam: estéticas, de coloração, resistência, etc.
Tradicionalmente, divide-se a prática da cerâmica em três áreas principais: Modelagem, Escultura e Painéis Cerâmicos. Na área da modelagem cerâmica, incidem-se todo tipo de objeto grande e pequeno como cinzeiro,vasos , vasilhas, adornos, etc. Quantitativamente, a maior parte da produção em cerâmica pode ser encontrada nesta área, sendo, porém, muito mais reduzida à produção de esculturas e murais. Estas duas últimas áreas têm fundamental importância do ponto de vista qualitativo, o que não quer dizer que não haja a modelagem artística, a qual esta existe e é muito desenvolvida. A produção de utilitários se desenvolve, em grande parte, através de métodos industriais ou artesanais, como por exemplo: colagem em moldes de gesso, prensagem industrial, fabricação através de tomo, etc.
É de se ressaltar a diferença da modelagem de utilitários em um processo de aprendizagem de curso, onde se pode tomar contato com todos os métodos acima citados mas o foco principal se deslocaria para o processo de criação e não para a obra em si propriamente dito.
Existem outras áreas especializadas dentro da cerâmica; por exemplo, a cerâmica de uso arquitetônico para fabricação de revestimento , azulejos, etc. e também para a decoração de interiores, móveis, etc. Outras áreas da cerâmica , com uma alta especialização , se constituem em valorosos auxiliares de uma infinidade de indústrias e técnicas: a Astronáutica, a odontologia, a engenharia e a arquitetura, as engenharias químicas, elétricas, etc. Vemos então que a ciência cerâmica, . ou cerâmica científica constitui-se em uma especialidade de muitos pesquisadores. Constituem-se aspectos científicos nos processos de preparação e criação de diferentes tipos de pasta cerâmicas (Terracota, Louça, Grés, Porcelana), pelas suas características de uso, pelo estudo dos materiais cerâmicos, pelas análises físico- químicas , e técnicas de extração e preparação de argilas, a ciência dos esmaltes e sua aplicação, a construção de novas máquinas, assim como o ensinamentos desta ciência-arte e sua metodologia.
Através de um ponto de vista sociológico, podemos distinguir uma cerâmica artística de uma artesanal ou uma industrial. Poderíamos considerar uma obra em cerâmica artística quando toda ela esta subordinada ao momento estético, quando existe expressão e conteúdo, e quando se adota umas soluções elaboradas , conscientes e criativas para o problema que se coloca entre a obra e o seu criador. Neste sentido , a obra de arte seria única. A imitação de obras confeccionadas por outros , ou as cópias, colocaria a peça imitativa fora do terreno da Arte.
A indústria coloca-se em um ponto relativamente antagônico à arte, pois a peça nunca é única e sim seriada. Esta é reproduzida milhares e milhares de vezes. O artesanato coloca-se em uma situação intermediária, pois se aplica uma mesma solução a toda uma produção de peças, seja manual ou semi seriada. Na produção artesanal muitas vezes uma peça não é precisamente igual à outra. Isto se deve ao fato do método de trabalho ser exclusivamente manual. O ponto central é que o tipo de solução que se coloca aos problemas propostos pelas peças em artesanato, em todas elas, se resolve do mesmo modo, seguindo o mesmo tipo de trabalho e métodos decorativos, ou seja, repetindo os mesmos esquemas, desenhos, etc. Assim diferenciaríamos o artesanato da indústria e, da arte, por ser uma mesma solução com leves variações aplicadas a uma mesma série de peças de confecção preferencialmente manual.
Em nosso trabalho o que pretendemos abordar, principalmente, seria a atitude emocional decorrida do trabalho artístico com a cerâmica. De que forma a criatividade se inseriria em todo este relacionamento Homem-Argila, Mão - Forma, Emoção - Movimento?
Precisamos, neste momento, abordar dois aspectos:
a criatividade e o movimento.
No momento seguinte, colheremos as resultantes destes dois aspectos, unidos na expressão em forma de cerâmica e nas especificidades do processo educacional somático em suas diversas propriedades relativas ao movimento e suas interações com os fatores do movimento ativadas através do contato com a argila.
No item seguinte passaremos a percorrer os caminhos da criação em movimento ...
2 – ASPECTOS DA CRIAÇÃO
A criatividade pode ser considerada um potencial inerente ao ser humana e a realização deste potencial uma de suas necessidades. A natureza criativa do homem se estrutura no contexto cultural. Todo individuo se desenvolve em uma realidade social, cujas necessidades e valores culturais se moldam o próprio valor da vida.
Assim, podemos dizer que no indivíduo confrontam-se dois pólos de uma mesma relação , ou seja: a sua criatividade, que representa a potencialidade de um ser único e sua criação, que será a realização dessas potencialidades já dentro de determinada cultura.
Outro ponto é que, ao se criar , damos forma a alguma coisa independente de quais forem os modos e os meios. Ao se criar algo, sempre se ordena e se configura. Desta forma, pode-se entender que o fazer e o configurar do ser humano seriam expressões de caráter simbólico. Toda forma corresponderia a aspectos expressivos de um desenvolvimento interior do indivíduo, refletindo, então, processos de crescimento e de maturação cujos níveis de integração são essenciais para a realização das potencialidades criativas.
Dirigindo-nos a um aspecto da questão criativa, o que colocaríamos em jogo, realmente, para o verdadeiro desenvolvimento da expressão criativa do ser, seria o parâmetro básico que rege as relações humanas da sociedade contemporânea, que seria o processo da alienação humana.
O homem contemporâneo sofre um processo de desintegração colocado diante das múltiplas exigências sociais, bombardeado por um fluxo ininterrupto de informações contraditórias em aceleração crescente, ultrapassando os ritmos orgânicos de sua vida, em vez de se integrar como ser individual e ser social. O sistema econômico capitalista, que prima por uma exaltação descomunal do lucro, expropria o homem de si mesmo, de seu trabalho, de suas possibilidades de criar e de realizar em sua vida conteúdos mais humanos. Assim, ao tentarmos resgatar através de diversos movimentos, sejam eles os movimentos do corpo, das mãos amassando o barro ou através do movimento social de luta por uma sociedade mais justa, mais plena, mais criativa, estamos tentando resgatar a nós mesmos e a humanidade, utilizando-nos da ferramenta básica do ser humano para formar e transformar, que seria o nosso próprio corpo. Corpo este que, como unidade simbólica, funde através da sua ação no espaço (que seria o movimento) , significante e significado, possibilitando um recriar e um renovar contínuo das relações simbólicas, das relações afetivas e das relações sociais.
É importante percebemos que como parte do corpo, as mãos são uma parte que estão em todo instante a executar algo e que o conteúdo expressivo e simbólico (significado) está diretamente ligado a uma ação. Estas ações, por sua vez, estão regidas por ações do movimento, como por exemplo: o socar, o pressionar, o torcer, o açoitar, o flutuar, o espanar, o deslizar, o pontuar, etc. Estas oito ações que citamos acima são consideradas ações básicas do movimento, pois sintetizam as combinações entre os fatores estruturais do movimento, que seriam: peso, tempo, fluxo e espaço. Todas estas ações poderiam ser executadas por todo o corpo, mas como neste estudo pretendemos observar mais detidamente o desenvolvimento da expressão no trabalho junto à argila, à parte do corpo que entraria em maior evidência seria a das mãos. Portanto, é interessante notar se haveria a existência de relações entre os fatores do movimento e o trabalho das mãos com a argila e suas possíveis correlações comportamentais.
Este corpo humano e social necessita de se conscientizar para se tomar um corpo livre, um corpo espontâneo, um corpo criativo. Se em nossa sociedade coube a reserva do espaço da arte, para a expressão criativa do ser, esta reserva de espaço é política e visa à perpetuação de uma sociedade fragmentada, na qual o "artista" seria um dos poucos a ter o direito de expressar o seu ser e, desta forma, continuar a roda vida da alienação em nossas existências em função da reserva do direito de criação permitido somente a este grupo. Observamos, hoje em dia, dois movimentos acontecerem simultaneamente, o da falência aparente do sistema através da miséria e da fome que vemos em todos os lados e ao mesmo tempo, os indivíduos procurando a cada instante se expressarem mais através de atividades criativas sejam estas plásticas, musicais, movimento, etc ..
Dentro deste contexto perguntamos: O que está acontecendo?
Podemos conjeturar que há, uma necessidade premente dos indivíduos isolados no anonimato social de se integrarem consigo mesmo e com a sociedade através da expressão artística, encontrando força, então, para atuar criativamente dentro do processo da transformação social.
Existem vários aspectos que devem ser abordados para um alcance mais profundo da importância do trabalho criativo. No entanto, nos deteremos nos aspectos relacionados com a prática do trabalho criativo através do elemento da Cerâmica.
Este trabalho pode ser realizado por pessoas que, como tantas, procuram atividades para se expressar e ao se deparar com o exercício deste aprendizado, descobrem através de um material, (no caso, a argila) a proposição de uma série de questões, como por exemplo: forma, criação , emoção, etc. No item a seguir passaremos a uma abordagem das relações observadas no que se refere às técnicas utilizadas e as características do trabalho vivenciado por indivíduos junto a esta experiência e fundamentalmente a correlação com os aspectos da educação somática no que tange aos fatores do movimento.
3 – TÉCNICAS CERÂMICAS E OBSERVAÇÃO
Quando iniciamos o estudo sobre as vivências dos praticantes de aulas de cerâmica em cursos regulares, pretendíamos partilhar, com todos, o universo maravilhoso de experiências vividas através do contato com a argila em um processo individual e grupal.
Individual, pois cada pessoa colocava, em cada movimento das suas mãos , uma expressão da sua emoção e, em cada forma modelada, a interiorização de um sentimento, uma idéia,etc.
Grupal , porque a experiência coletiva através do diálogo das observações dos diversos estilos e tendências de trabalhos e processos contribui para uma relativização do eu de cada um e, ao mesmo tempo, de uma construção de uma identificação grupal.
Ao longo da observação, milhares de situações interessantes ocorreram, desde o fascínio com a produção pessoal ou até a própria subestimação em relação ao trabalho e sua sucessiva superação. Vimos desde o desapego e generosidade, com relação à própria produção até a possessividade extrema no relacionamento com as obras, tratando-as até como se fossem "filhos e filhas", chegando, neste último caso, ao fato extremo de, ao menor desencontro com o trabalho no sentido da sua localização espacial na sala, supor-se a possibilidade de haver sido roubado, revelando neste momento um grande sentimento de perda. Portanto, o universo das relações simbólicas dos indivíduos com suas obras observados é muito variado, mas algumas características podem ser mais presentes.
Aos tentarmos descrever os diversos matizes de comportamento que o trabalho com a argila provoca, não pretendemos fazer nenhum tipo de generalização, mas tentar localizar alguns pontos interessantes nas diversas atitudes que pude presenciar. Para melhor organizarmos o fluxo de atitudes, escolhemos o referencial das diversas etapas que o processo de trabalho com a argila possui na técnica da modelagem, desde o "bater o barro" até a concepção da forma em si.
3.1 – BATENDO O BARRO
Ao falarmos das diversas etapas do trabalho com a cerâmica e suas correspondentes em comportamento de grupo, iniciamos com a primeira fase que seria a de bater o barro - Neste momento, é necessário que o participante, diante do bloco de argila, leve sua mão a ele e levante-o e bata com o barro na mesa ou na superfície escolhida, para retirar as bolhas de oxigênio que permaneçam na massa. Ao ser levada ao forno para "queimar", a peça explodiria em função da expansão das bolhas de oxigênio tentando sair pela superfície do barro, caso estas não sejam retiradas.
No momento do bater, o movimento realizado necessita que uma certa força seja impressa nesta ação corporal. Foi possível observar que este esforço praticado propicia um certo extravasar de energia. Pode-se observar uma espécie de catarse fisico-emocional geralmente associada a este momento, gerando inclusive diálogos em que os indivíduos colocam invariavelmente algumas tensões que lhe afligem, através de afirmações onde pode haver reclamações de diversos aspectos: o reclamar da família, do país, do trabalho, da vida, etc.
Em algumas vezes não houve a presença da fala, mas apenas a expressão facial revelando alguma emoção, as vezes triste, às vezes presa, ou eventualmente desligada.
Quero novamente insistir , que não há nenhuma relação direta entre o "bater" e algum sentimento específico como raiva ou tristeza, mas sim um esforço de expansão, de jogar energia para fora. Estas atitudes acima citadas foram as que observaram em diversos grupos e não se tratam aqui de afirmações.
Em um segundo movimento, estamos defronte de diversas técnicas: a técnica da modelagem direta, a técnica da placa, a técnica dos cordões, e a técnica do tomo elétrico. Falaremos de cada uma separadamente, dando continuidade ao processo de quando iniciamos batendo o barro.
3.2 – MODELAGEM DIRETA
A técnica da modelagem direta consiste em pegarmos um bloco de cerâmica e moldarmos com as mãos uma forma de bola e livremente trabalhá-la na direção que cada imaginação pedir. O professor geralmente não interfere.
Esta aula caracteriza-se pela iniciação em cerâmica na qual indivíduo não dever sofrer nenhuma espécie de intervenção, mas sim deixar sua criatividade se expressar. O grupo observado já havia passado por esta fase.
Notamos que não se utilizava mais esta técnica quando em fases mais adiantadas. Mas houve um caso de uma participante que em um certo dia, desenvolveu um trabalho que lhe deu "muito trabalho", segundo sua própria afirmação, na qual ela utilizou técnicas de placa e molde simultaneamente. A participante, ao chegar na aula uma semana após, deparou-se com seu trabalho todo rachado em função da retração que este sofreu. Como a aluna havia fixado o molde na peça, esta rachou- se toda, devida a contração. Muito deprimida, ela jogou fora o trabalho e, neste dia, disse com suas próprias palavras: - Hoje não vou fazer nada que me dê trabalho, vou fazer algo orgânico! - Neste momento, ela, que só havia utilizado a técnica da bola na sua primeira aula, utilizou-se dela, pois, esta técnica era a que mais atendia ao seu momento pessoal.
Por que Orgânico? Provavelmente, porque esta técnica, por permitir a exploração livre da mão em contato direto com a argila, permite a modelagem da massa em um fluxo livre, no sentido de não se comprometer com um potencial de forma já proposta, pela técnica, como, por exemplo, o caso técnica da placa, do cordão, etc. Desta forma, não se colocaria nenhum limite de forma e, assim a qualidade "orgânica" da expressão pessoal poderia encontrar um campo mais propício para se revelar.
Outro aspecto interessante seria que as mãos realizam constantemente o movimento de alisar ou de deslizar. Claro que diversos outros movimento podem ser feitos, mas, podemos notar que, preferencialmente se utilizam desta ação do movimento, o deslizar. Ao analisarmos as qualidades que o deslizar propicia, verificamos uma sensação de serenidade e quietude em nível do comportamento. Desta forma , em uma ótica terapêutica, a técnica da modelagem direta juntamente com a ação do deslizar, propicia um efeito sedante, sendo portanto indicada para ser trabalhada com os diversos grupos que necessitam de uma terapia que promova um efeito relaxante, desde crianças com problemas escolares até o tratamento com pacientes psiquiátricos.
3.3 - TÉCNICA DAS PLACAS
Na técnica das placas, o participante utiliza à argila da seguinte maneira: estende a argila sobre um pedaço de pano sem textura,utilizando-se de um rolo de "pastel", guiado por duas ripas de madeira, que seriam os seus parâmetros de espessura da placa. Após abrir a placa, o participante poderia realizar o trabalho que desejar, sendo que esta técnica favorece a modelagem de pratos e superfícies planas, não se excluindo a possibilidade de estruturas verticais, como por exemplo, vasos, só que utilizando simultaneamente do apoio e moldes de gesso ou papelão.
Uma das características desta técnica é a sua superfície "lisa", a qual favorecem a exploração criativa de impressões,desenhos e texturas realizadas com instrumentos diversos, inclusive materiais da natureza . Assim, uma infinita pesquisa tátil é favorecida por colocar em evidência este sentido do tato, juntamente com uma estimulação visual, pois, ao imprimirmos diversas texturas na superfície da argila, no processo do contato tátil- visual de cada indivíduo, dar-se-á uma reação específica em cada um, desde o fascínio até o nervosismo frente à superfície apresentada .
Podemos citar o exemplo de uma participante de um dos grupos que se detinha unicamente a confeccionar placas, onde ela imprimia em suas superfícies diversos motivos de origem marinha como conchas, pedras, caracóis, etc., criando verdadeiros "quadros" em placas de cerâmica. Ao me dirigir a ela, perguntei o porque dela se deter em trabalhar apenas nesta linha , produzindo umas três placas por aula. Ela respondeu o seguinte:
- Não sei porquê, só sei que sou fascinadda por corais e que produzir estas placas me dá um prazer profundo!
Perguntei se havia interesse em comercializar as placas, ela respondeu que não, mas que dava de presente a toda a sua família e amigos e que, recentemente, uma amiga havia perguntado se ela poderia fazer umas cem placas, e ela respondeu:
- “Querer eu até quero, mas não possuo umm fomo. Não tenho possibilidade de me comprometer.”
Abrindo um parêntese, esta questão de possuir cada um o seu fomo para realizar as queimas das suas peças pareceu ser um desejo latente em cada um e , de certa forma, a impossibilidade deste fomo deixa uma certa frustração para os participantes.
Da mesma forma que essa participante realiza todo o seu trabalho através das placas com motivos marinhos , outra participante do grupo também se realiza nesta técnica , Colhi o seu depoimento e foi o seguinte:
"As placas me acalmam. Talvez seja pelo fato destas estarem ali abertas, prontas para eu movimentá-las com as minhas mãos" _ esta participante realizava formas tridimensionais através do movimento das placas _ “em contraste com a cobrinha” técnica dos cordões _ que me irrita, me dá muito trabalho. Já nas placas, eu aliso e desenho, faço o que eu quero. Já nas cobrinhas parece que há uma luta entre eu e a "cobrinha".
Esta participante executava trabalhos diversos, desde pratos e vasos até esculturas , mas sempre utilizando a técnica das placas. A professora diz que ela encontrou sua linguagem própria , mas analisa esta participante como uma pessoa com uma grande concentração de energia e possivelmente seja esta a razão da reação dela em evitar a técnica dos cordões, que, demanda uma certa dose de paciência e tranqüilidade.
A placa é uma técnica simples e rápida Assim,não só como neste e dois casos citados, mas no geral, notamos uma preferência a esta técnica e até algumas exclamações como:
- Ah, hoje vou abrir uma placa!!! (alegriia)
- Estou doida para abrir uma plaquinha! !! !
Assim pude notar que esta técnica desperta o desejo de trabalhar com a cerâmica de forma intensa.
Sua indicação a nível terapêutico estaria relacionada principalmente com o tratamento da ansiedade, pois da mesma forma rápida que o impulso ansioso se manifesta , na mesma velocidade a técnica pode ser executada e, assim, progressivamente o paciente iria se relaxando através da continuidade do trabalho, preparando-se para ações de maior concentração, como por exemplo à técnica dos cordões como veremos a seguir.
3.4 – TÉCNICA DOS CORDÕES
Esta técnica consiste em fazer rolos cilíndricos de argilas, e sobrepô-los um ao outro, levantando estruturas que poderiam ser vasos, potes, chaleiras, bules, etc. Estes rolos devem ser unidos através de uma cola chamada barbutina, que é feita através da mistura do barro com vinagre. Esta é aplicada escavando ligeiramente a superfície a ser unida criando uma textura para favorecer a união dos cordões.
A técnica dos cordões demanda um trabalho onde o participante precisa ter muita "paciência e calma", segundo as afirmações dos próprios participantes e da professora, mas é ele que possibilita a subida de grandes vasos, o que já não é possível com outras técnicas, a exceção do tomo.
Observei que as mulheres que estavam em uma faixa etária dos 50 aos 60 anos, tinham maior afinidade com esta técnica e que seus trabalhos primavam por uma beleza e caprichos no acabamento. Possivelmente, poderíamos estabelecer uma certa relação entre pessoas detalhistas e uma opção mais familiarizada com a técnica dos cordões neste grupo. Isto não quer dizer, que os outros participantes não sejam detalhistas na execução dos seus trabalhos, mas seria um detalhismo associado ao tempo lento da execução do trabalho, o que geralmente não foi evidenciado nos outros participantes que geralmente demonstravam uma certa "urgência" em terminar os trabalhos.
Sendo assim, pude notar uma certa cautela ao se trabalhar com esta técnica dos cordões. Porém, esta técnica seria bem aproveitada no sentido de se desenvolver no indivíduo um sentido mais aguçado de observação e concentração, com o objetivo de promover um comportamento mais tranqüilo, sendo que, seria mais indicado para pessoas que já estivessem em um estágio mais avançado do trabalho cerâmico.
3.5 – TÉCNICA DO TORNO ELÉTRICO
O trabalho realizado com o tomo elétrico demanda um estágio avançado na modelagem em cerâmica. A técnica em si consiste em fixarmos, sobre o centro de uma superfície circular do tomo elétrico, a argila em forma de bola e realizarmos movimentações com as mãos com o auxílio de uma bacia com água para molhá- Ias constantemente, efetuando-se diversos movimentos no sentido de subir e abaixar a massa, abri-Ia e fechá-la. Assim, vamos construindo, juntamente com a velocidade da roda giratória do torno, estruturas cilíndricas, circulares, verticais ou horizontais de forma bem rápida.
Esta técnica exerce um grande fascínio sobre os indivíduos , praticantes e não praticantes de cerâmica. Sempre é feita a referência da cena realizada no filme "GHOST", quando a atriz estava trabalhando no torno e o seu companheiro chega por trás para abraça-Ia e, juntos começam a trabalhar com o torno. Os comentários sempre se referem a esta técnica com uma certa dose de sensualidade. Chamo a atenção de que,no momento anterior à experimentação da técnica é sempre de fascínio e busca de prazer e, realmente, o prazer que o contato das mãos com a argila molhada e lisa em forma circular propicia é incrível.
A experiência em si no inicio com o torno é relativamente frustrante, pois o domínio desta técnica é extremamente difícil pois, você vai lidar com aspectos como : - centralizar a massa no torno; - não perder o centro de gravidade; - caso não esteja bem fixado, o barro "voa" da roda do torno.; - o indivíduo fica todo respingado de barro; - aprender a "controlar" a massa imprimindo "força" na movimentação das mãos, direcionando o movimento da argila.
Estes aspectos do aprendizado contrastam com a idéia da sensação e da execução que as pessoas imaginam que vão experimentar no torno.
Observei que, antes de entrarem em contato com a técnica, os participantes dizem que querem fazer um vaso grande, mas após iniciarem o trabalho , percebi que a frustração era tão grande por só conseguirem, quando conseguiam, produzir pequenos potes e que, a maior parte dos participantes desistiam do aprendizado no torno e voltava à modelagem a mão livre.
Podemos notar que a técnica do torno, em princípio, exige uma atitude de domínio e de controle iniciais, para se conquistar uma harmonia na futura execução do trabalho. Esta dificuldade inicial muitas vezes espanta a maioria das pessoas, pois esta relativa conquista aparente contrasta com uma situação de relaxamento que é esperada.
Gostaria de citar um comentário de um participante que revela bem esta questão do controle : - “É como se você estivesse tomando as rédeas da sua própria vida !”
Esta afirmação é bem sintética, pois expõe a questão do controle da argila não apenas como controle do material, mas como uma transferência de um poder de decisão sobre a própria vida, ou seja, dar forma à vida, apesar das forças contrárias.
Um outro exemplo de uma atitude de dificuldade com a técnica do torno foi o caso de uma aluna que por várias aulas vinha querendo aprender a trabalhar no torno, falando que queria fazer vários vasos grandes e bonitos. Quando a orientadora iniciou o trabalho junto com ela, a reação de desespero que aquela participante teve ao sentir a dificuldade de imprimir força e pressionar a argila levou-a a um tal desespero que ela gritava:
_ Professora, por favor, me tira daqui, me tira daqui! Eu não consigo, eu não consigo!-
Assim, observamos que pessoas podem vir a apresentar um comportamento envolto em ansiedade ao iniciar um trabalho em cerâmica através do torno elétrico. Desta forma, a técnica do torno seria mais aconselhada para participantes em uns níveis bem avançados, que estejam preparados para uma atitude de desprendimento em relação ao produto do seu trabalho , evitando, assim, um sentimento de frustração que seria quase inerente às etapas iniciais do trabalho com esta técnica.
©Celeida tostes
4 - A CERÂMICA E SUA INTERAÇÃO COM
A EDUCAÇÃO SOMÁTICA
Tudo que o ser humano pode querer é uma vida prazerosa onde suas emoções , idéias, sensações sejam expressas espontaneamente em suas ações cotidianas.
Como foi citado anteriormente , vivemos, ou melhor,construímos sociedades que dificultam nossa própria sobrevivência. Nos boicotamos em ínfimos atos , separamos atitudes e comportamentos, criamos categorias conceituais fragmentando o ser humano em mente,corpo, idéias, emoções...
Sentir, pensar e agir de forma contínua e coerente passa a ser um processo difícil de ser conquistado em nosso dia a dia. Inúmeras competências disputam discursos sobre consciência corporal, recortes políticos, psicológicos, médicos intervém sobre o universo do que chamamos corpo – esta unidade sensório – motora que viabiliza nossa existência neste universo.
Ao me expressar, harmonizo toda uma série de processos ao qual todos, enquanto seres humanos, são submetidos desde o seu momento de nascimento.
A historicidade de um indivíduo, interfere em sua estrutura neuro - motora e esta por sua vez influência suas funções e cria padrões comportamentais em todos os níveis.
Ao me referir à educação somática, contextualizo o conceito de educação que se refere ao ato de estabelecer uma relação – relacionar - e ao me remeter à denominação somática contextualizo a estrutura orgânica do ser humano.
Desta forma obtemos esta expressão, ao qual procurei por uma necessidade de uma relativa neutralidade conceitual, onde todo o agente que lança mão desta gama de técnicas que se fundem, interagindo umas com as outras, possibilitam um resgate do individuo em seu ambiente social de forma a torná-lo ativo e atuante perante suas necessidades de expressá-las independente de sua origem - econômicas, artísticas ou em umas das diversas qualificações que os saberes construíram.
O objetivo central é a atuação do indivíduo em seu meio social de forma espontânea , ativa, participativa ,interativa.
Em uma era cibernética onde a comunicação se faz de forma muito presente mas, essencialmente a cada dia, independe da presença física para que se materialize o contato e
a comunicação, nós perguntamos?
Para onde caminha a humanidade? Frase antiga...
É fato que a carência econômica se espalha pelo mundo, concentrando renda em poucas mãos.
Mãos estas que se ocupam mais de produzir riquezas especulativas do que trabalho de fato!
Desemprego, fome, pobreza, unidades familiares desintegradas...
Seria este um cenário favorável ao desenvolvimento da educação somática?
Seria este um cenário favorável ao uso da cerâmica como instrumento relacional dentro do contexto da educação somática?
Sim, seria...
Por que?
Por que mais do que nunca o ser humano esta isolado, sem identidade, sem papéis definidos em sua inserção social, na estrutura das relações sociais de produção.
Mas poderíamos nos perguntar, de que forma isto aconteceria?
Acho importante ressaltar esta viabilização da atividade, no caso em questão a prática do aprendizado cerâmico como instrumento da educação somática, pois de que vale todo e qualquer conhecimento se não nos remetemos à viabilização deste pelos indivíduos em seus contextos sociais.
As alternativas que apresento neste trabalho falam da forma mais simples , falam da forma em que o barro vem ao contato da mão e o sentimento segue do coração a pele das mãos através da pressão do toque viabilizando a expressão do ser...
Pode ser em uma escola do interior onde o barro esteja nas montanhas pronto para ser colhido pelo movimento do seu corpo ou empacotado por alguma empresa e entre em uma sala de aula, ou seja, disponibilizado em uma grande escola.
Não falo de uma cerâmica para comercialização ,falo de uma cerâmica para construção de um ser mais integrado com seu contorno corporal, com seus apoios, sua estrutura óssea,sua imagem corporal em contínuo processo de transformação.
Então, o nosso meio de trabalho seria apenas o barro, um local, um professor capacitado e um ser humano com disponibilidade para o autoconhecimento ou vários seres humanos!
BBB ,BOM , BONITO E BARATO – o nome disto poderia ser: Democratização do acesso ao conhecimento!
É esta a diferença das cerâmicas das galerias para a cerâmica envolvida no processo da educação somática...
Claro que o desenvolvimento da capacidade expressiva leva a qualificação ,a supremacia de uma criatividade potente a cada ato de nossas vidas e isto não exclui o fato de posteriormente ir de encontro ao processo de exposição de trabalhos em galerias ou lojas de decoração , mas isto pode ser uma decorrência , não um foco central em nossa abordagem.
A grande exposição aqui é a do ser em sua totalidade progressiva , construída a cada momento ,a cada vivência,a cada dia...
Vamos agora descrever de que forma o trabalho com a argila pode nos revelar e materializar descobertas referentes à ao universo do humano em seus significantes e significados, em suas vias simbólicas, construindo e descontruindo caminhos padronizados de nossa unidade sensório – motora e favorecendo um viver mais presente .
Pesquisaremos a definição do fator peso que se traduz em intensidade de toque.
Passaremos pelo fator espaço que nos remete a definição de contorno corporal, apoios , volume.
Entraremos no fator tempo abordando a velocidade das ações corporais no contato com a argila e associado a esta o fator fluxo que descreve a base em que quais ações corporais estarão em maior evidência.
Todas as técnicas corporais presente na educação somática trabalham com estes fatores do movimento, os quais foram muito bem explicitados no sistema laban de análise de movimento , mas o uso de apoios, articulações, tato e contato é largamente abordado em sua esfera neuro - motora na técnica de Angel Vianna e klausvianna (atualmente chamada de técnica kv) e os aspectos biomecânicos que ficam claros na técnica do GDS - onde estruturas encadeadas de grupamentos musculares formam cadeias que aprisionam ou libertam o movimento humano e sua conseqüente expressividade...
Sabemos que este estudo é uma segunda etapa de um processo que comecei ao me deparar com a cerâmica e os mistérios que se revelam através de construção de formas em uma sala de aula e que ele irá continuar a se aprofundar ...
Anteriormente foi citada alguma explanação de alunos referentes a um trabalho que havia sido realizado durante o meu aprendizado da técnica com cerâmica. Diante da minha inserção e do meu encantamento decidi me aprofundar e fundir estas duas áreas que pulsam em meu ser ,o movimento e a arte cerâmica.
Mas, ciente de que há muito a ser pesquisado e compreendido, estamos apenas dando mais um passo nesta direção...
Traçamos o histórico da cerâmica , as técnicas do aprendizado, características do processo criativo e nos remetemos a algumas características de ações corporais.
Vamos nos aprofundar um pouco mais agora!
COMO ISTO ACONTECE???
Antes de entrar na definição dos fatores de movimentos e suas correlações , preciso falar sobre o trabalho corporal .
Esta conexão que estou fazendo por alguns já foi feita enquanto vivência de ceramistas em exploração do contato com a argila. Mas , esta associação dos fatores de movimento vinculado a uma área pedagógica ainda é como dizer , “experimental”!
Bom, analiso que o ser humano que venha a trabalhar com a argila dentro desta ótica esteja de fato familiarizado com o contexto da educação somática , ou seja, tenha vivenciado o seu próprio corpo dentro desta prática que objetiva desenvolver a capacidade de comunicação e expressão do ser.
Ou seja, estudar apoios e seus infinitos contornos é necessário para você avaliar o desenvolvimento progressivo de um aluno, um ser humano em seu processo gradativo do uso da argila.
Estudar ossos e articulações é necessário para avaliar as projeções que serão feitas em uma estrutura de argila , como uma arquitetura de emoções .Você precisa saber os planos , os níveis alto , médio , baixo, as dimensões sagital, horizontal e vertical para correlacionar de uma forma didática e não determinista a obra do seu paciente, do seu atleta, do seu aluno .
Estudar a sensibilidade da sua pele o capacita para entender as diversas texturas que iram se refletir na pele da obra que irá ser realizada; se texturada, se rugosa, se lisa como um deslizar no ar ou no gelo, se recortada como um talhar no espaço. Tato e contato vão estar sendo sentidos , de forma externa e interna , capacitando o ser a modificar, a transformar parâmetros de esquema corporal e imagem corporal que foram construídos ao longo de tempos e vivências próprias que iram ser visualizadas e armazenadas por seu ser através de diversos simbolismos.
Ações corporais iram reger a velocidade, a intensidade, a atenção , a precisão intuitiva do criar daquele jeito aquela forma.
Então,vivenciar um processo corporal e capacitar-se dentro deste não é uma tarefa simples. Segundos, momentos , anos, tempos históricos até você achar que seu ser é capaz de ajudar a outro ser com este trabalho....
Agora,mesmo que você não saiba nada sobre educação somática, isto não exclui os efeitos terapêuticos do trabalho com a argila. Você estará de qualquer forma desenvolvendo a sua capacidade criativa.
Após uma longa conversa com o mestre da arte cerâmica sobre os efeitos terapêuticos com o trabalho em argila, CHITI relatou -me que o desenvolvimento da estrutura afetiva que se expressa na argila esta vinculado diretamente a uma das fases do desenvolvimento da psique humana, a fase anal.
Sua explicação se remete ao fato da similaridade destas em termos visuais . As características do desenvolvimento da referida fase, para um maior aprofundamento , seria interessante que sejam pesquisadas em um universo de competência neuro - psíquica.
O que posso citar é que as diversas reações de nojo, tranqüilidade, repúdio, raiva, obsessão estão diretamente ligadas a esta fase do processo psíquico e que o constante manuseio da argila , o que é o mais importante para mim, é que a generosidade se implanta , o desapego acontece, à vontade de realizar acontece e que enfim, se existe uma palavra chamada cura, esta entra neste movimento e é para isto que estamos aqui, para ajudar e não para julgar...
Mais duas citações para pacientes, direcionadas a portadores de transtornos de personalidade ou distúrbios psico - patológicos. Trabalhar com imagem difere de trabalhar com a fala – a terapia com imagens, se aplica com muita eficácia a pacientes psicóticos ,veja o trabalho de dra. Nise da Silveira e aprofunde-se no universo da eficácia das imagens para o revelar das profundezas do ser humano.
Ou seja a argila entra como mais um recurso para você, que trabalha com este universo do imaginário humano em suas trilhas e escaladas - o universo chamado psi, multi dimensional...
Enfim, crianças , jovens, adultos traumatizados, stressados podem e devem experimentar este contato com a argila.
Existe uma reação enigmática para mim do sistema neurológico, em todas as suas camadas, sejam estas superficiais ou profundas, que as neuro - ciências se ocupam em pesquisar que é a incessante necessidade de manutenção de padrões antigos , como um certo processo de defesa do organismo. Manter o simbólico historicamente traçado em nossas memórias celulares ...
Conversando com o catedrático da universidade moderna de Lisboa do curso de psicopedagogia perceptiva, dr. Danis Bois, o que me foi dito é que só a incessante expressão através de imagens sejam estas em forma letradas , desenhadas, enfim materializadas e expressas em uma nova forma poderiam dialogar com o sistema neural e criar um novo acordo para uma reordenação de movimentos em nossa unidade sensório – motora em todas as áreas, sejam estas fisiológicas, anatômicas, comportamentais, simbólicas.,vislumbrando a possibilidade de mudanças em nível do esquema e imagem corporal. Assim , espero somar nesta estrada que venho trilhando , como ceramista, arte-terapeuta, Cientista Social e Prof. Educação Somática
Em cada área de conhecimento que me envolvo nesta vida percebo que uma ajuda à outra e por esta estrada vou moldando meu ser e ajudando a transmitir o pouco que sei para aqueles que deste se fizerem atores em cena.
Iremos nos deter no conhecimento sobre os esforços ou qualidades do movimento e suas implicações no estudo do trabalho com a argila.
Aqui o movimento ajudará a análise da obra em toda a sua relevância e lançaremos mão do conhecimento de Rudolf Laban , referente a análise do movimento no que tange aos seus fatores: fluxo, espaço, peso e tempo.
5 - LABAN E OS FATORES DO MOVIMENTO EEM SUAS MANIFESTAÇÕES
Fatores do movimento são alicerces definidos por Rudolf Laban como os elementos que constroem qualquer ação ou sensação de movimento corporal ou da vida em todo o seu sentido pleno.
Laban os definiu como peso, espaço, fluência, tempo.
Assim, nós pretendemos dar uma visão associada ao trabalho relacionado com a argila , como mais um elemento facilitador de interpretação e pesquisa.
Gostaria que ficasse claro aqui que não existem esses fatores de forma pura em uma forma ou movimento, eles estão sempre integrados e interagindo entre si simultaneamente. Ou seja, as qualidades de esforços se multiplicam , se desdobram em diversas atitudes interna e se revelam nesta mesma complexidade externamente.
Portanto, viabilizar o acesso destes fatores é um percurso ao qual iremos percorrer com calma , sem análises deterministas.
Inicialmente para cada fator irei buscar em uma autora , cuja autoridade sobre o sistema Laban em termos de conhecimento é excepcional e extremamente didática, Lenira Rengel -Dicionário Laban - uma descrição detalhada sobre cada fator de movimento em si , posteriormente correlacionarei com a expressão da vivência em forma , contorno, apoios e dimensões da forma e da relação com o trabalho em cerâmica.
FLUÊNCIA
5.1 - A DEFINIÇÃO DO FATOR FLUXO QUE DESCREVE A BASE EM QUE QUAIS AÇÕES CORPORAIS ESTARÃO EM MAIOR EVIDÊNCIA.
Este é o primeiro fator observado no desenvolvimento do ser humano. Ao se observar um bebê, é possível ver seus movimentos de expansão e contração; é a fluência se manifestando com qualidades de esforço liberadas e /ou controladas. Ele apenas “flui”, sem muito domínio deste fluir do movimento. A tarefa do fator fluência è a integração (tarefa refere-se ao que o fator ajuda a desenvolver). A integração do movimento traz sensação de unidade entre as partes do corpo. A atitude relacionada à fluência é a progressão do movimento, que pode ser livre ou contida, informando (informação refere-se ao aspecto de participação de atitude interna do movimento) o como do movimento : mais ou menos integrado (liberado) ou mais ou menos fragmentado (contido). A Fluência apóia a manifestação da opção pelo movimento , pois os extremos e/ou as gradações entre um alto grau de abandono do controle ou uma atitude de extremo controle, manifestam no movimento os aspectos da personalidade que envolve a emoção. O agente pode enfatizar, num determinado treino corporal, a vivência mais consciente da fluência e perceber que ela pode gerar atitudes internas oníricas, imaginárias, móveis, criativas. A liberação da Fluência demonstra , por exemplo , expansão , abandono, extroversão, entrega, projeção de sentimentos.
O controle da Fluência demonstra , Por exemplo , cuidado, restrição, contenção, retrair-se.
O conceito de fluência tem duas formas qualitativas básicas de ser experienciado , assim denominadas;
1. livre e/ou liberada;
2. controlada e/ou contida e /ou limitada.
Todo movimento requer tensão muscular, seja em que grau for. Para as mudanças nas qualidades de fluência , também é necessário tensão , porém Fluência trata da relação entre os músculos tensionados e não propriamente da presença da tensão no corpo. Mudanças na qualidade de fluência são mais vistas em um movimento do que as mudanças de qualidade dos outros fatores de movimento.
A fluência é considerada como alimentadora dos outros , por que por vezes , é possível observar em movimentos que qualidade de espaço, Peso, Tempo permanecem cristalizadas e só a fluência muda.
A qualidade livre:
A qualidade de Fluência livre é descrita como fluente , abandonada, continuada , expandida.
A qualidade controlada :
A qualidade de fluência controlada é descrita como cuidadosa, restrita, contida, cortada, limitada
Nem sempre em um movimento é possível discernir características de fluência; isso se deve ao fato de outras qualidades ou considerações estarem impressas ao movimento, ou seja chamamos isso de ações de esforço incompletas , onde um esforço ou dois estão ocultos ou às vezes um esta encoberto por a grande presença de outro.
Podemos observar que a descrição sobre o fator Fluência fala de uma onda que percorre em pulsação contínua o ser do indivíduo , regendo suas ações em termos de qualidade e ações corporais que podem ser escolhida s e desenvolvidas . no aspecto do desenvolvimento do individuo em suas faixas etárias , encontramos o que chamamos de pure efforts, que na verdade são as propulsões que a fluência vai adquirindo ao longo do desenvolvimento criando ações corporais que revelam etapas do desenvolvimento neuro-sensorial do bebê e da criança. Emma Goldman , tem um trabalho profundo sobre este assunto. Em síntese, podemos dizer que vivenciamos o pressionar , que equivale ao sugar do bebê, posteriormente vamos ao deslizar , em seguida ao percutir lento e rápido ... Falando desta forma superficial , o que podemos apenas ver é que fluência é um dos esforços de movimento mais atuante no desenvolvimento neuro – psíquico, neuro- motor da criança e ao estudarmos profundamente estes aspectos , podemos entender muitas das diversas escolhas ou limitações de experimentações que foram viabilizadas , impostas ou reprimidas em nosso ser e posteriormente, as suas repercussões em nosso desenvolvimento simbólico e sensorial.
Por que uma pessoa é mais expansiva ou mais contida , por que seus atos são fragmentados ou contínuos...
Tudo isto nos leva a estudar e a estimular a pesquisa de movimento associada ao fator Fluência.
O agente que viabiliza o contato com a argila deve levar em conta o estímulo deste fator através de ações de deslizar , de amassar continuamente , de pressionar continuamente , como uma descarga...
Isto vai estimular toda a rede neural das terminações nervosas da mão e portanto , como é fato se existem duas partes do corpo em que podemos trabalhar nossa conexão diretamente com o sistema nervoso central é através do uso das mãos e da língua. – Consultar: Cem Bilhões de neurônios - Conceitos fundamentais de Neurociência - Roberto Lent – Editora Atheneu
Em nosso caso, mesmo que em termos de forma não nos preocupemos com resultados e o processo sendo o mais importante no que se refere a todos os fatores, tenho que mencionar um parâmetro. A expansão irá ser revelada através do uso do plano horizontal. Mas os planos vertical e sagital devem ser conjugados ao analisar a direção da forma, se ela extravasa , expande , ou se verticaliza , ou se avança, ou se conjuga todos os três planos.
ESPAÇO
5.2 - A DEFINIÇÃO DO FATOR ESPAÇO QUE NOS REMETE A DEFINIÇÃO DE CONTORNO CORPORAL, APOIOS , VOLUME.
É o segundo fator observado no desenvolvimento do agente. Por volta do Terceiro mês de vida, o bebê já tem seus órgãos perceptivos mais desenvolvidos ; ele manifesta esforço para focalizar sua mãe e objetos. Por intermédio dessa focalização e a conseqüente locomoção para objetos e pessoas , começa a experiência com o fator Espaço , com qualidades de esforço que já começam a acontecer de forma direta (único foco no espaço) ou flexível (multifoco).
Inicialmente o contato se dá com o espaço pessoal , depois parcial e o geral. Quando o agente começa a focalizar para fora , não existe mais idéia de que tudo é uma coisa só (como acontece com o fator Fluência). Estabelecido o que se denomina “princípio de realidade”, isto é, quem sou eu e quem é o outro . A tarefa do fator espaço é a comunicação . A comunicação que faz o agente se relacionar com o outro, o mundo à sua volta . A atitude que faz o agente se relacionar com , o mundo a sua volta . A atitude relacionada ao espaço é a Atenção, afeta o foco do movimento , informando sobre o onde do movimento . Características do fator Espaço trazem ao movimento um aspecto mais intelectual da personalidade, pois localizações no espaço são complexas. Estas localizações requerem atenção tanto em um único foco como em dois – atenção bi- dimensional - , ou atenção em mais focos ao mesmo tempo , gerando uma configuração no espaço nas três dimensões simultaneamente.; vertical, horizontal e sagital. O treino do fator espaço e suas qualidades geram, por exemplo , atitudes internas alertas ou explorativas. Em geral, movimentos flexíveis demonstram mais adaptabilidade, atenção multifocada, menos rigidez. Em geral, movimentos retos podem revelar tanto objetividade como convencionalismo.
O conceito de espaço tem duas formas qualitativas básicas
1. direta
2. flexível
O uso do Espaço é visto como um contínuo de linhas diretas e lineares para linhas torcidas e polilineares . Focar e visualizar relacionam-se ás qualidades espaciais. As qualidades de esforço em relação ao fator Espaço são concernentes ao tipo de concentração ou foco no espaço e não tanto ao aspecto da forma do movimento
A qualidade direta e/ou unifocado;
O movimento direto é definido como se mantendo estritamente em uma trajetória ou em direção a um ponto. Para reter uma trajetória não desviada , a atenção é mantida no lugar de chegada ou pontos percorridos durante uma curva , por exemplo . È um uso restrito do espaço . O foco direto ocorre com uma retilínea concentração visual. Atenção direta no Espaço usualmente emprega movimentos retos e lineares , não há torção dos membros e do tronco . Relaciona-se à direção periférica do movimento Observe esta correlação com o estudo de formas em cerâmica.
A qualidade flexível
O movimento flexível é definido como arredondado , ondulante , plástico , indireto. Várias partes do corpo indo a diferentes lugares ao mesmo tempo . E um uso mais amplo do espaço. Foco flexível ocorre com uma concentração por todo o espaço tridimensional . Atenção flexível no Espaço usualmente emprega movimentos torcidos . relaciona-se à direção central do movimento .
Nem sempre em um movimento é possível discernir características de Espaço ; isso se ao fato de outras qualidades ou considerações estarem mais imprimidas a movimento, mas não quer dizer que o fator espaço não esteja ali, presente e latente.
Na dimensão da forma plástica aonde vamos nos deparar com volumes , contornos e apoios o fator espaço se revela enquanto o uso tridimensional das dimensões e dos planos. Mas, no que tange ao somatório de uma atitude unifocada e multifocada, espaço direto e multidirecional , podemos trazer isto para atitude da atenção. Reflita o que é atenção?
Atenção é percepção de tudo em você , a sua volta e no outro!
Contorno, apoio, ossos , volume fazem a correlação com a noção de esquema corporal e imagem corporal. Esta conexão é fantástica ! Como um elemento do movimento pode nos levar a uma percepção tão profunda de tudo em si , para si , para o outro ...
Isto me emociona!
É esta fusão de conhecimentos que busco, onde as ciências dão as mãos entre si e rompem as fronteiras entre arte e ciência e mutuamente falam do ser humano em um processo dinâmico.
Se o agente esta trabalhando com um aluno ou paciente , que possui déficit ou um hiper atividade , o fator espaço vai ter uma influência determinante em todo o seu processo de trabalho , atenção , foco , multifoco, onde , espaço tridimensional ...
Estes alicerces vão guiar o trabalho de um agente seja na cerâmica, na pesquisa da linguagem corporal , no desenho , e então , podemos trazer mais possibilidades de uma harmonização psico – motora.
Atividades de espaço devem trabalhar com o estímulo a dimensões ; vertical, horizontal e sagital. Abra placas, trabalhe com a técnica das cordas e estimule seus alunos com imagens que enfatizem retas ou de geometria diversa, veja o espaço de formas abstratas em suas dimensões multifocais.
Ouse....
PESO
5.3 - A DEFINIÇÃO DO FATOR PESO QUE SE TRADUZ EM INTENSIDADE DE TOQUE.
È o terceiro fator observado no desenvolvimento do ser humano. Este fator auxilia na conquista da verticalidade. É possível observar como o bebê deixa cair objetos várias vezes, “descobrindo” a força da gravidade . Depois ele a experimenta em si mesmo , até ficar de pé sustentando seu corpo . A qualidade de esforço do fator peso é leve e firme, com todas as nuances de peso possíveis entre estas polaridades.
A tarefa do fator peso é auxiliar na assertividade. Ele dá estabilidade ao agente , proporciona segurança. A atitude relacionada ao indivíduo, proporciona segurança. A atitude relacionada ao peso é a intenção , a sensação. O Peso informa sobre o Quê? do movimento. Peso traz ao movimento um aspecto mais físico da personalidade. O fator peso auxilia o desenvolvimento do domínio de si próprio , ao transportar o corpo sem ajuda do outro , daí ele gerar a afirmação da vontade. Seres Humanos lesionados podem falar muito bem sobre esta sensação de fragilidade e auto-suficiência... Movimentos leves são mais fáceis para cima, revelam suavidade, bondade , e, em outro pólo , superficialidade. Movimentos firmes são mais fáceis para baixo, demonstram firmeza, tenacidade, resistência ou também poder .
O conceito de Peso tem duas formas qualitativas básicas de ser experienciado, assim denominadas;
1. leve
2. firme
Em, peso temos quatro atributos a serem considerados:
1- Força da gravidade – para que o corpo se mantenha na posição vertical é necessário que se exerça uma força em direção para cima e igualmente em direção para baixo. A força de gravidade pode ser superada de forma leve ou firme, com todas as gradações possíveis entre ambos os extremos;
2- Força cinética – a força (ou energia) que é necessária para mover o corpo no espaço . O corpo ou partes do corpo pode ser movido de forma leve ou firme com todas as gradações possíveis entre ambos os extremos;
3 - Força estática – a força (ou energia) que é exercida quando uma posição é mantida em um estado de ativa tensão muscular . Esta força não é para mover o corpo e sim mantida no corpo. É sentida como se uma resistência interna estivesse sendo acrescentada ao movimento. Resistência interna pode acontecer de modo leve ou firme, com todas as gradações possíveis entre ambos os extremos.
4 – Resistência externa – a resistência oferecida por objetos ou pessoas . Um parceiro, um móvel pode resistir ao corpo ou também suportar o corpo. Resistência externa e suporte podem acontecer de modo leve ou firme, com todas as gradações possíveis entre ambos os extremos.
A qualidade leve e as quatro informações sobre peso:
1- Exerção antigravidade leve – é a força para cima , suficiente para manter a estrutura do esqueleto aprumada;
2- Força cinética leve – é a exerção antigravidade leve enquanto o corpo ou partes do corpo se move em qualquer direção . A real quantidade de força usada depende do tamanho do corpo ou parte do corpo e da ação sendo executada, mas em todos os casos a força cinética é suficiente para manter esta sensação de leve sustentação em movimento;
3- Força estática leve – é a sustentação que se dá entre tensões e contratensões mínimas;
4- Interação leve- é produzida com resistência que é fornecida por pessoas e / ou coisas . Uma força mínima é produzida em direção oposta à resistência oferecida
Estas mínimas forças podem ocorrer independentemente, simultaneamente ou sucessivamente.
A qualidade firme e as quatro interações sobre o peso:
1- Exerção antigravidade firme – ocorre na direção para cima, de tal modo que a estrutura do esqueleto é conduzida muita além de sua natural postura leve
2- Força cinética firme – é produzida quando o corpo ou partes do corpo se move firmemente. A exerção antigravidade em direção para cima pode estar presente ou ausente , em cada caso uma certa firmeza ou sensação de momento de firmeza está presente;
3- Força estática firme – ocorre quando há contratensões internas produzindo uma firme condição de sustentação . Estas tensões estáticas firmes podem ser usadas em posições ou acompanhar a força cinética firme. A força cinética estática pode ocorrer em qualquer direção e é experiênciada como uma resistência interna;
4- Interação firme – é produzida diretamente contra a resistência que está sendo fornecida . Não existe uma contra tensão interna.
Leveza e firmeza podem ser produzidas em um movimento simultaneâmente . Neste caso o movimento por completo será leve ou firme , analisado com tal e sentido como tal . Entretanto , por vezes o que se percebe , se analisa e se sente são momentos de leveza e firmeza durante o movimento.
Nem sempre em um movimento é possível discernir características de Peso. Isso se deve ao fato de outras qualidade ou considerações estarem mais em evidência.
Este esforço , em minha análise encontra uma síntese nesta frase - O fator peso auxilia o desenvolvimento do domínio de si próprio , ao transportar o corpo sem ajuda do outro , daí ele gerar a afirmação da vontade!
Esta frase é sintética... Intenção, assertividade, afirmação da vontade. Em termos do nosso estudo, intenção e sensação, afirmação da vontade gera um oceano de encontro do indivíduo consigo mesmo e com o universo a sua volta. se sua relação é de uma assertividade leve ou firme, você irá encontrar toques de intenção leve, frouxa, firme ou pesadas. Mecanicismo?
Não... peso!
O apoio de cada ser humano esta relacionado com as diversas forças: gravidade, cinética, estática , resistência.
Sua projeção interativa com o espaço , com o fluxo e veremos adiante com o tempo , compõe a totalidade de atuação do indivíduo em sua vida , em seu ambiente social.
O que um líder possui?
Fundamentalmente assertividade, domínio de si tão forte que pode vibrar esta energia para diversos seres humanos e impregnar suas vontades.
Interessante como estas associações vieram da palavra intenção de toque. Na vida você se toca , você toca as pessoas , você toca o mundo com seu corpo , suas emoções em ações que refletem esta qualidade de si, de domínio ou insegurança de si. Isto é fascinante!
Quanto mais estudo movimento , mais eu entendo política, psicologia humana e social.
E você , professor? ,
Vamos trabalhar a intensidade do toque ,a resistência ao toque no material e a aceitação deste?
Desenvolva atividades onde você proponha a delicadeza de texturas leves e a firmeza de toques profundos.
Nunca se preocupe com resultado de formas neste momento , pois o que queremos trabalhar aqui é intenção, presença, o Quê?, a firmeza, tenacidade , ou seja o poder sobre si. Quando quiser desenvolver esta atividade de forma coletiva, sugiro a unificação de montes de argilas que podem ser inicialmente trabalhados de forma individual e depois unidos em uma forma coletiva para desenvolver a capacidade de socialização, de interação grupal e social. Durante a experiência observe e faça-os observar elementos do fator peso ,desde a resistência em termos do toque em relação ao material , a harmonização deste com o fator espaço em interação dos apoios, tanto para si quanto para o grupo, ou seja toque – intenção, resistência, encontro , afirmação, insegurança, segurança, domínio de si, liderança, submissão, em síntese fator peso ...
Vamos agora para o fator das decisões no momento preciso , o fator tempo ! Ampliando nossas percepções...
TEMPO
5.4 - A DEFINIÇÃO DO FATOR TEMPO ABORDANDO A VELOCIDADE DAS DECISÕES DAS AÇÕES CORPORAIS NO CONTATO COM A ARGILA.
È o quarto e ultimo fator a ser observado no desenvolvimento do agente. A noção de tempo , na vida do agente , começa a surgir por volta dos cinco ou seis anos de idade. Antes desta época è vaga a idéia de tempo. E muito comum frase como: “eu vou ontem”. Nessa idade (cinco ou seis anos) é que as brincadeiras começam a ter começo , meio e fim. O agente empresta um brinquedo porque sabe que depois vai tê-lo de volta, ou não chora quando os pais saem porque, agora, sabe que eles vão voltar. As qualidades de esforço do fator tempo são sustentadas e súbitas (sem dúvida, com todas as
nuances , como em todos os fatores.) Importante ressaltar que se usa lento e rápido para referir-se a tempo sustentado ou tempo súbito. Laban preferia sustentado e súbito por achar que rápido e lento são termos quantitativos, enquanto sustentado e súbito requerem uma atitude interna de sustentação do tempo ou de aceleração do tempo, gerando , deste modo , aspectos qualitativos.
O tempo traz ao movimento um aspecto mais intuitivo da personalidade . A tarefa do fator tempo é auxiliar na operacionalidade, isto é , proporciona elementos para execução . A atitude relacionada ao tempo é decisão , informando sobre o Quando? do movimento . Em temos de atitudes internas , o treino e domínio das qualidades do fator tempo ajudam, por exemplo , a que os limites não sejam tão rígidos . Auxiliam, ainda, a maior mobilidade e tolerância em relação às frustrações ; se o agente não tem algo agora , talvez seja possível obtê-lo depois.
O conceito de Tempo tem duas formas qualitativas básicas de ser experienciado , assim denominadas:
1. súbita
2. sustentada.
Em tempo há três atributos a serem considerados :
1 – a duração processa-se num contínuo de muito curta a muito longa;
2 - a velocidade processa-se num contínuo de muito rápido a muito lento;
3 - a velocidade não é constante no movimento . durante um movimento, há momentos de aceleração e desaceleração
As qualidades súbita e sustentada e os três atributos do tempo:
1 – qualidade súbita é percebida em movimentos (s) rápidos (s) de curta duração;
2 – qualidade súbita é percebida em aceleração de curta duração ;
3 – qualidade sustentada é percebida em movimentos (s\) lento(s) de longa duração ;
4 – qualidade sustentada é percebida em desaceleração de longa duração;
5- movimentos súbitos de longa duração;
6 – aceleração de longa duração ;
7 – curtos movimentos lentos;
8- desaceleração curta.
Nem sempre em um movimento é possível discernir características de tempo. Isto se deve ao fato de outras qualidades ou considerações estarem impressas ao movimento, como pode acontecer em todo os outros fatores, o qual chamamos de ação de esforço incompleta, o que por definição para não deixar este conceito em suspensão , esclareço que esta ação de esforço incompleta caracteriza-se pela combinação de dois elementos qualitativos do esforço imprimidos ao movimento, com predominância de intensidade sobre os dois elementos restantes. As ações de esforço incompletas diferenciam-se das ações derivadas, por que nas ações derivadas acontecem combinações de três fatores de movimento. Para que os movimentos aconteçam é preciso uma atitude ativa em relação a dois fatores . A qualidade de esforço em relação a um fator está obvimente presente, a qualidade em relação ao segundo fator “adjetiva” a ação , enquanto as qualidades em relação ao terceiro e quarto fatores aparentemente desaparecem. . assim , o ser humano tem atitude para com todos os fatores de movimento , porém há uma atitude mais determinada para a combinação de qualidades de esforço em relação a dois fatores , dando-se assim a ação incompleta. È praticamente impossível, aparecer na execução de uma ação , aparecer à combinação dos quatro fatores de movimento, todos com a mesma intensidade de ênfase. As ações completas ou quase completas se dão raramente. Este tipo de ação pode acontecer em movimentos do trabalho que exijam grande concentração e no treinamento de artistas do corpo, que buscam uma intensa sensação do movimento .
Perceberam?
A observação pode registrar o predomínio de dois fatores , ou até três , mas quatro já é um trabalho mais técnico de observação e execução, mas não quer dizer que o esforço não esta ali , latente...difícil de ser visto , analisado?
Precisamos estar muito bem treinados para estabelecer estas diferenciações .
Assim , retornando ao nosso fator tempo , vimos que velocidade é apenas um dos aspectos, existem as durações que pode ser longa ou curta , a velocidade que pode ser súbita ou sustentada ou como alguns falam , rápido ou lento, e a aceleração e a desaceleração e as diversas combinações entres estas etapas, mas no final o que chama a atenção é a capacidade de decisão, o Quando? , a hora certa , o time, a intuição do momento certo.
Este é o fator tempo que no processo de desenvolvimento do ser humano é o último a ser configurado e absorvido. Talvez , digamos, totalmente compreendido nesta fase , entre os cinco e seis anos...
Em nossas vidas corridas , urbanas, cheias de acelerações e poucas desacelerações notam o contraste com o tempo de uma vida rural e o conseqüente reflexo deste em nossos atos , atitudes, movimentos . A genética fala de metabolismos lentos, a neuro-química fala de pulsos elétricos lentos ou rápidos, a endocrinologia cita que a tireóide pode trabalhar de forma rápida ou lenta.
De fato e encantador a profundidade deste fator tempo em nossas vidas ...
E quando estamos stressados , as pausas que o corpo encontra para se auto ajustar, lesões, gripes, etc.
Me dá um tempo!!!
Preciso de tempo para respirar...
Vai com calma...
Vocês já perceberam como os elementos do movimento estão em nossas falas?
É , mais uma conexão...
Mas, em nosso trabalho com cerâmica ou argila , falem como quiserem, é importante deixar o tempo individual acontecer , ou seja , o tempo do ser , o meu tempo, nem aceleração , nem desaceleração, para que o tempo real do individuo se revele.
Caso seja proposta uma tarefa com tempo contado e esta for de curta duração , pouco de atitude expressiva pode acontecer ... a menos que seja um jogo já com pessoas que trabalham há muito com cerâmica.
O ideal é que possamos ter aulas com duração de três horas, este é um tempo funcional relativamente propício para que o tempo interno ocorra.
Agora, enquanto o fator tempo pode revelar capacidade de decisão, vamos observar o que ?
Mudanças....
Mudanças de utilização do material que pode ser de uma velocidade lenta ou de uma atitude com longa duração, como um alisar eterno , ou como um pontuar súbito com uma ferramenta , que pode ser o dedo, um amassamento acelerado e de longa duração , ou um amassamento lento e de curta duração...
Ansiedades podem estar correlacionadas com uma aceleração interna continua ou súbita...
Você vai saber diferenciar?
Bom o que digo é que isto é um treinamento para ambos os lados , tanto o do facilitador como do aluno , cliente, paciente, ou que categoria seja.
O importante é sua disponibilidade para propor atividades , entender as necessidades e ver qual a que melhor se insere naquele tempo..
Esta capacidade de improvisar, se podemos associar a capacidade de Decisão, ao Quando? , é um reflexo de um bom uso do tempo!
E do peso também – Intenção!
Viu como eles se misturam...
6 - EXEMPLIFICAÇÃO DE ALGUMAS ATIVIDADES INDIVIDUAIS E COLETIVAS
A- reúna todos os participantes e coloque um monte de argila no meio da sala, chame todos para atuarem sobre a grande montanha e deixem eles à vontade, ou sugira um tema.
B- A mesma atividade citada acima só que trabalhando como os fatores de movimento são sentidos por cada um em suas vidas : peso, fluxo, tempo , espaço. Esta atividade pode ser individual , pequenos grupos ou em um grande grupo , ou progressivamente ir unindo os trabalhos até um final coletivo . Observe para que falem ao final sobre esta vivência. Professor , você está ajudando a clarear os conceitos dos fatores de movimento e seus reflexos em atitudes , comportamentos , principalmente se seu trabalho estive correlacionado a Arteterapia ou envolvido em uma atividade correlacionada a Educação Somática.
C- Trabalhando com placas e fator peso (obs: você pode optar por falar ou não falar que vai enfatizar determinado fator, cabe a você avaliar o momento do aluno , ou do grupo).
Utilize texturas, como rendas, objetos que possam ser pressionados na placa, uma folha ,objetos diversos, coloque uma superfície lisa por cima , que não marque e passe rolo de macarrão Certifique-se de que este rolo será destinado somente para a cerâmica. Perceba a pressão que os alunos imprimem sobre o material a ser demarcado na placa e peça a eles para fazerem de forma a observarem a intensidade com que fazem e depois experimentarem as diversas intensidades de peso.
Atenção: Peça para brincarem com os outros fatores, também: tempo, fluxo, espaço e escreverem sobre isto ao final da aula!
D - Faça moldes de gesso e peça para após eestes estarem prontos , para os alunos ou clientes, abrirem placas e usarem os moldes como apoio e trabalharem a sustentação das formas no espaço , enfatizando as dimensões horizontal, vertical e sagital . Ressalte a atenção de como eles vão ter que sustentar estas formas no apoio duro do gesso e no apoio insólito do ar; use papel jornal, objetos que sugiram e facilitem o apoio. Deixe os objetos à disposição.
E – faça uma vivencia com relaxamento e pesquisa do contorno corporal e peça para na aula os alunos representarem suas imagens dê seus contornos corporais em uma massa de barro livre. Em um dia você pode pedir para que a representação seja simbólica e em outro que atenda a representação das noções obtidas através da aula sobre o seu contorno. Veja bem , que nesta vivencia é de extrema importância à fala e a escrita . Avalie se serão necessárias as duas expressões.
Não analise nenhuma forma exposta a menos que o grupo já tenha uma grande vivência com o trabalho da argila e familiaridade com o movimento e amadurecimento afetivo para possíveis análises da produção realizada. É muito mais importante que o aluno fale!
É uma tomada de autoconsciência , onde objeto e sujeito se fundem e crescem. E, veja bem , que imagem corporal e esquema corporal estão trabalhando de forma intensa nesta vivência
Aplique relaxamentos diferenciados. Em um dia enfatize o contorno do corpo na dimensão sagital, em outra na horizontal e na outra a vertical . Formas diferentes irão ser expressas. Para tanto faça um trabalho de pesquisa de formas e dimensões antes de realizar a pesquisa do contorno corporal na argila. Pesquise outros níveis de altura diferentes: baixos, médios , altos.
Em cada vivência novas percepções serão conectadas pelo indivíduo.
CONCLUSÃO
Relato que desejo ter contribuído de forma humilde para a proposta de conexão entre estes dois universos: movimento e cerâmica. Foi muito gratificante para a minha pessoa o sentido da busca de uma interação entre o contato com a pesquisa do movimento no que tange as suas estruturas em relação aos fatores do movimento e nossos diagramas corporais envolvendo apoios, contornos, tatos e contatos e o universo simultaneamente infinito da cerâmica e desejo ter efetuado esta ponte...
A vivência deste aprendizado ao qual tenho estado em contato faz anos , nos deixa apenas uma certeza: a importância do “bem–estar”que o indivíduo consegue consigo, com o outro e com o meio ambiente.
E, associado a este, o fato de como todos os conhecimentos associados nesta pesquisa, criam um campo de interação e equilíbrio desafiador em nosso entendimento.
Arte, Ciência, Educação Física, Educação somática, Fisioterapia, Ciências Sociais, Física, Medicina,Psicologia,enfim , todos os conhecimentos se fundem na hora de um aprendizado, na hora de um momento de cura seja este de um indivíduo ou de uma sociedade.
Na medida em que as sociedades evoluem as fronteiras entre os conhecimentos vão ficando cada vez mais sutis e portanto nos exigem mais aprofundamento .
Como foi citado e exemplificado no texto , por exemplo, ao abrir uma placa de argila e construir uma forma em que você, esta ali, depositando vivências, trabalhando estas vivências em representações concretas de apoios, forma, contornos , a intensidade do seu toque , a velocidade e duração deste, revelando sua aceleração externa em um movimento explícito e traduzindo a sua correspondente aceleração interna do seu ser, cria-se a possibilidade de mais recursos para o nosso próprio entendimento de nossas emoções e idéias corporificadas em nossa estrutura corporal, dinamizadas em nossos movimentos e transformadas em nossas formas, recriadas em nosso insight criativo em fluxos contínuos e descontínuos , em pressões sobre nós reveladas em imagens que revelam estas intensidades.
É , esta é a arte do movimento , a arte em que tudo é sentido , é visto , é tocado , é compreendido e não julgado e se quando este se revela em formas , sejam estas através de planos e dimensões, estas são portas para o que desconhecemos , mas sentimos e portanto revelamos em uma pausa eterna que constrói uma forma que ficara para eternidade e contara para todas as outras civilizações que virão a sua história, a nossa história .
Enfim a sua mensagem revelando a sua história de vida deixada em um material chamado Cerâmica...
©Claudia Tostes Fernandes
Esperamos ter contribuído de alguma forma neste vasto universo que a cerâmica e o movimento criam em sua belíssima interação. Citamos que desejamos continuar a ter o prazer de ampliar este estudo para o despertar das possibilidades da utilização da expressão da linguagem do movimento e da expressão criativa através da cerâmica como um grande instrumento de desenvolvimento pedagógico ...
©Claudia Fernandes de Almeida
Bibliografia
1- DRAKE, k. CERÂMICA - Buenos Aires: kapeluz,1972.
2- LABAN, Rudolf - DOMÍNIO DO MOVIMENTO - São Paulo: Summus, 1978.
3- OSTROWER, Fayga. - CRIATIVIDADE E PROCESSOS DE CRIAÇÃO - Petrópolis:Vozes,1983.
4- RODRIGUES, José Carlos. - TABU DO CORPO - Rio de janeiro: Achiarné, 1983.
5- RENGEL,Lenira. - DICIONÁRIO LABAN - São Paulo : Annablume,2003.
6 – CHITI, Jorge Fernandez. Que es la ceramologia – Ediciones Condorhuasi,1971.